WOOKACONTECE: Mário Zambujal: autorretrato do escritor enquanto leitor de fundo

 

Mário Zambujal, Foto © Pedro Loureiro

A morte de Mário Zambujal, aos 90 anos, deixa-nos sem um contador de histórias que olhava para o país e para as peripécias da vida com um humor aliado a uma crítica fina e inteligente, que atravessam gerações. Parte, assim, «uma das figuras mais queridas e versáteis do jornalismo nacional», com um «legado marcante na imprensa escrita, na rádio, na televisão e na literatura», segundo o Clube dos Jornalistas. Na memória dos portugueses, perdurará o seu sorriso aberto e contagiante.
Nascido em Moura, em 1936, Zambujal começou por se afirmar no jornalismo, sendo presença assídua na rádio e na televisão, mas foi nos livros que encontrou terreno para expandir a sua veia criativa. A publicação de Crónica dos Bons Malandros , em 1980, revelou-o como romancista, com um universo próprio: personagens que se movem entre o humor e a melancolia, tramas que fundem o género policial com a comédia, e uma Lisboa reinventada, num quotidiano efabulado. O sucesso do livro, que se tornou um clássico moderno, levou à sua adaptação ao cinema e à TV. Ao livro de estreia, muitos outros se seguiriam, numa obra prolífica e marcada pelo seu estilo original e inimitável.



Neste dia de despedida, deixamos-lhe a nossa homenagem, recuperando um autorretrato que teve a gentileza de nos conceder. Obrigada, Mário Zambujal, e até sempre.

Wook lhe liam em criança?
Seguramente histórias maravilhosas com finais felizes para o menino dormir descansado.

Quais foram as suas primeiras palavras?
Apostaria que foram papá e mamã. Ou pai e mãe. De um ou outro modo, as insuperáveis palavras de amor.

Wook está na sua mesa-de-cabeceira?
Vou lendo Palavras que Falam por Nós, de Pedro Braga Falcão, um divertido e sábio passeio que ajuda a conhecer melhor as palavras com que falamos. E o romance de Jorge Araújo O Cemitério dos Amores Vivos, um livro excelente, na forma e no conteúdo.

Wook leu hoje?
O vosso saboroso questionário.

Wook mal pode esperar para ler?
O balanço literário do ano 2030.

Wook tem vergonha de nunca ter lido?
Ui, que magnífica biblioteca!

Wook leu e não gostou?
Do que não gosto, leio pouco. Desisto a páginas tantas.

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WOOKACONTECE: António Lobo Antunes – uma estranha força interior

 António Lobo Antunes
António Lobo Antunes – Foto © Georges Seguin (Okki), CC BY-SA 3.0


António Lobo Antunes morreu hoje aos 83 anos, deixando um vazio raro na literatura portuguesa. Médico psiquiatra antes de se dedicar por inteiro à escrita, transformou a memória da Guerra Colonial, a violência íntima e a fragilidade humana em matéria literária de uma densidade inconfundível.
A sua obra, com mais de três dezenas de romances, marcou gerações pela forma como desmontava a linguagem, como escavava o labirinto interior e como recusava qualquer explicação fácil do mundo. Era, como tantos sublinham neste dia, um intérprete sensível da condição humana e um dos maiores escritores portugueses contemporâneos.
Os seus livros, marcados por memórias que regressam como feridas abertas e uma atenção radical ao sofrimento humano, deixam um legado maior do que o tempo de uma vida.

Na entrevista que concedeu ao wookacontece em 2020, e que agora recordamos, Lobo Antunes surge como sempre foi: frontal, irónico, cansado de entrevistas — “são um frete” — mas incapaz de fugir à verdade quando começava a falar.

Durante essa conversa, quando lhe perguntámos se escrevia por gosto, respondeu-nos assim: «Não se pode dizer que seja por gosto. Não sei. É uma estranha força interior.»Falou também da guerra, não como episódio histórico, mas como cicatriz permanente. A guerra ensinou-lhe a ver a morte de perto, e essa presença nunca o abandonou. A fé, quando surgia, era ambivalente: «Gostava de ter uma fé luminosa e tranquila e boa como tem um homem de quem eu gosto muito, que é o Frei Bento Domingues», disse. «Viver é difícil» disse, defendendo que «o Evangelho devia ser mudado. Em lugar de se pôr “no princípio era o verbo”, devia pôr-se “no princípio era a depressão”, que é o sentimento mais comum no Homem». De tal forma que «a depressão está sempre presente até à depressão final, que é a morte».
Havia humor, também. E o gosto pelos grandes escritores. E até ternura, quando mencionou o amigo Gabo, como quem fala de alguém que lhe ensinou a leveza possível no meio do peso do mundo.
Hoje, ao reler a sua obra e ao rever essa entrevista, percebe-se melhor o que perdemos: não apenas um escritor maior, mas alguém que acreditava que a literatura podia iluminar as zonas escuras da vida sem as domesticar. A sua morte deixa-nos órfãos de uma voz que não se preocupava em agradar, mas que sempre procurou compreender. E talvez seja essa a sua herança mais profunda: a de um homem que escreveu para escutar, e que escutou para sobreviver.





Alguém roubou a primavera… Quem terá sido? 🧸📚

 

Quem Roubou a Primavera?

A primavera já devia ter chegado, mas a neve continua a cair.
Alguém roubou a primavera… Quem terá sido?

COMPRAR LIVRO


Será que os pequenos leitores conseguem descobrir?

O mistério continua por resolver e a floresta precisa de ajuda.
Quem terá levado a estação mais bonita do ano? É melhor começar a procurar pistas...

«Na orla da floresta, a Violeta detém-se para pensar. Quem será que a quis roubar? Foi alguém grande e forte, de certezam já estou a adivinhar.»

AS MINHAS LEITURAS: "Henry & June" de Anaïs Nin

 

©Livros com gipsofila

Ficha do Livro

Autor: Anaïs Nin
Título Original:
Henry and June - From the Unexpurgated Diary of Anaïs Nin
Editor: Presença Editora
N.º de Págs.:
224
Coleção: Grandes Narrativas
Ano de Edição: 2002
Classificação: Literatura Erótica e Romance Biográfico
Sinopse: Paris, Dezembro de 1931. Anaïs Nin conhece o escritor Henry Miller e a sua mulher June, e regista esse facto no seu diário. É esse relato íntimo que agora se publica e nele Anaïs revela todos os sentimentos de angústia, felicidade, êxtase, tristeza, que marcaram uma relação vivida até aos limites do erotismo e da paixão. Henry é a genialidade, a virilidade física e intelectual; June, a beleza, o mistério das forças ocultas do desejo. Juntos revelam-lhe o outro lado da vida, que as obras de Miller tão cruamente descreviam, e será através desse exacerbamento e dessa perturbação que Anaïs Nin virá a descobrir-se a mulher e a escritora que tanto marcou a literatura do nosso século. «Henry & June» é simultaneamente um documento de valor histórico e o diário íntimo de uma paixão que transgrediu todas as convenções.

Comentário


Não gosto de ler Literatura Erótica, mas este livro tem a componente biográfica que é muito importante já que se trata do diário pessoal e íntimo da autora.

Os primeiros dois registos no diário são importantíssimos para perceber o estado da relação do casal Anais e Hugo e também para perceber as suas emoções e vontades.
Aqui no livro parece haver uma dicotomia entre a mulher como objeto de desejo e a mulher como objeto sexual, que no fundo leva ao pensamento errado da mulher ter se submeter às vontades do homem. A mentalidade feminina foi sempre balizada pela aceitação masculina - imposta pela sociedade machista - de ser um objeto com uma falsa liberdade. As mulheres foram objetos durante séculos... só a partir do Séc. XXI começou a haver melhorias.
Eu acho que algumas pessoas vivem com o intuito de desestabilizar tudo e todos, de serem furacões, como a personagem June. E sentem prazer nisso, mas não é saudável viver dessa forma.
Contudo, é interessante o autoconhecimento do corpo numa época em que a maioria das mulheres não sentia prazer nas relações sexuais. Era um tema tabu, assim como a menstruação e o aborto.

Este livro emana sentimentos e emoções.
Mas é preciso entender que nós somos diferentes. As experiências de uma pessoa não têm de ser iguais às minhas. Cada um faz o seu caminho.

CURIOSIDADE: Este livro foi adaptado para o cinema em 1990 e no papel de Anais Nin está a nossa atriz internacional Maria de Medeiros que, na altura, teria os seus 24 anos! Ela foi escolhida pelo realizador Philip Kaufman porque tinha semelhanças físicas com a verdadeira Anais Nin, para além de viver em Paris há algum tempo e ser talentosa.





Desafio Literário

📚Bingo Profissão da Personagem Principal na categoria "ESCRITOR(A)".
📚Mant'Anual 26 na categoria «Livro que tenha originado um filme ou série».
📚Ler com Elas na categoria «Fora da Zona de Conforto».


Desafio "LER COM ELAS" (7.ª edição)

 



Decidi juntar-me a este desafio literário de curta duração do Blogue Manta de Histórias.
Já escolhi os livros que irei ler para cada categoria! Tenho-os na minha estante e fazem parte da coleção Grandes Narrativas da Editorial Presença e da Coleção BIS - Livros de Bolso da Editora LeYa. Que bonita coincidência! 😌



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