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Livraria Lello celebra 120 anos com Ai Weiwei e Dua Lipa numa reflexão sobre censura e liberdade


    A histórica Livraria Lello, localizada no Porto, assinala o seu 120.º aniversário com uma forte mensagem cultural focada na liberdade de expressão e no combate à censura. Conhecida mundialmente pela sua arquitetura impressionante, a instituição expandiu substancialmente as suas instalações para cerca de mil metros quadrados, num projeto modernizado pelo prestigiado arquiteto Álvaro Siza Vieira.

  • O Protesto Silencioso de Ai Weiwei: O novo espaço de arte contemporânea acolhe a instalação "A4", do artista chinês Ai Weiwei. A obra utiliza centenas de folhas brancas e a impressão física dos seus tweets censurados para evocar a resistência e a liberdade de pensamento.

  • A Curadoria de Dua Lipa: Numa colaboração inédita com a plataforma Service95 (fundada pela cantora Dua Lipa), nasceu a Manifesto Library. Trata-se de uma biblioteca com cem obras literárias marcantes que, ao longo da história, enfrentaram a censura ou desafiaram o status quo do poder.

  • Relíquias na Sala Gema: Este espaço exclusivo e restrito protege o património mais valioso da Lello. Entre os destaques encontram-se a biblioteca pessoal da malograda cantora Amy Winehouse, adquirida recentemente, e dezenas de cartas de amor juvenis escritas pelo Nobel da Literatura Bob Dylan.

    Esta transformação da Lello reflete um esforço consciente para equilibrar o turismo de massas com uma missão cultural profunda, convertendo meros visitantes em leitores ativos através do seu sistema de bilhética dedutível na compra de livros.
    Pode ler a reportagem completa e detalhada no artigo do 24 Notícias.

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Livrarias, liberdade e censura

 

MAY JAMES/EPA

As livrarias independentes são, muitas vezes, mais do que espaços de venda de livros: são locais de encontro, debate e circulação de ideias. Por isso, notícias sobre a detenção de livreiros ou editores merecem atenção.

Em Hong Kong, a proprietária de uma livraria independente foi detida por suspeitas relacionadas com alegada sedição, num caso que tem sido associado ao reforço das leis de segurança nacional e às crescentes restrições à liberdade de expressão naquele território.

Independentemente das diferentes leituras políticas do caso, a notícia levanta questões importantes sobre o papel dos livros, das livrarias e da liberdade de publicar.

👉Leia a notícia completa no Observador: https://observador.pt/2026/06/25/hong-kong-prende-dona-de-livraria-independente-por-sedicao/



JORNAL DE NOTÍCIAS: "Para onde vão os livros emprestados" - Opinião de Afonso Reis Cabral


Há livros que regressam a casa. Outros desaparecem entre mudanças, estantes e promessas de devolução.

Este artigo de opinião do Jornal de Notícias faz uma reflexão interessante sobre o percurso dos livros depois de saírem das nossas mãos — e sobre aquilo que o ato de emprestar diz acerca da leitura, da confiança e da memória.

E vocês?
Qual foi o livro que emprestaram e nunca mais voltaram a ver?

📰 Leitura recomendada:


"Só áudio": primeira “livraria sem livros” abre em Nova Iorque



    Audible Story House é a primeira livraria sem livros físicos que abriu no dia 1 de maio em Nova Iorque. O espaço foi pensado para a narrativa em áudio ganhar vida, oferecendo uma maneira física de vivenciar o conteúdo de áudio além da audição digital.
    Durante todo o mês de maio, de quarta a domingo, das 11h às 19h, os visitantes poderão navegar pelos áudios usando os "Story Tiles" físicos, desfrutar de seis espaços de audição distintos distribuídos por três andares e aproveitar comodidades e atividades premium.

Estão disponíveis mais de 300 títulos para os visitantes explorarem.

    Haverá eventos super interessantes para cativar o público a participar ativamente e a contribuir para a experiência. A programação inclui: conversas com autores e livros; quizzes literários; encontros com criadores de conteúdos (os chamados booktokers), workshops, concertos de música ao vivo com e muito mais!






Retratos de Abril - "Alçada Baptista, o escritor dos afetos e emoções"

 


    A 29 de janeiro de 1963 saiu o primeiro número de uma revista que viria a marcar a década de 1960: chamava-se “O Tempo e o Modo” e era dirigida pelo escritor António Alçada Baptista, que assinava um dos artigos de fundo do número inaugural. Na sua secção “Artes e Letras”, a revista deu voz a escritores e artistas que, simultaneamente, não era alinhados com o regime ditatorial mas, também, não se reviam na estética neorrealista, na altura professada sobretudo pelos intelectuais de esquerda.
    Descubra a vida deste escritor e humanista neste episódio do podcast Retratos de Abril, originalmente lançado nos 50 anos da Revolução em Portugal em 2024.


"Não fomos feitos para levantar às 6h para ir para o emprego, não é este o projeto humano."
António Alçada Baptista

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CONSULTA ABERTA: “Nas minhas consultas prescrevo Adília Lopes, porque é bonito e porque os meus utentes se vão relacionar”: o papel da arte na nossa saúde.

 


    Quantas vezes já foi influenciado por um livro, por um filme ou pela letra de uma canção? Este é um podcast sobre saúde e, por isso mesmo, também sobre arte.
    Para perceber porquê, Margarida Graça Santos convida Sofia de Carvalho, médica e artista, autora de "No Meu Corpo Moram Pássaros Cor de Vento e Muitas Outras Coisas", livro que é um exemplo claro de como cultura e saúde se cruzam mais vezes do que imaginamos.
    Nesta 'Consulta Aberta', não se prescrevem medicamentos, não se fazem diagnósticos nem se avaliam sintomas. Mas faz-se algo igualmente essencial para a saúde: falar de arte.


Nesta 'Consulta Aberta', não se prescrevem medicamentos, não se fazem diagnósticos nem se avaliam sintomas. Mas faz-se algo igualmente essencial para a saúde: falar de arte. As medicas Margarida Graça Santos e Sofia Bodas de Carvalho conversam sobre a importância de uma ‘prescrição cultural’. Ouça aqui o podcast.



ESTANTE FNAC: O que é Healing Fiction?

 

Healing-Fiction-o-que-e

 

Healing fiction é uma corrente literária de origem asiática que tem por base narrativas simples, de tom positivo e reconfortante, sobre temas como empatia, coragem ou entreajuda. Também é conhecida, em português, como ficção curativa.

O principal objetivo da healing fiction é o relaxamento mental dos leitores, sendo, por isso, uma corrente que apela sobretudo àqueles que tendem a encarar a literatura como uma solução para escapar momentaneamente aos problemas e às pressões do dia a dia.

As histórias de healing fiction evitam enredos complexos e assuntos demasiado negativos ou pesados, apresentando-se através de realismo mágico e de uma linguagem acessível que não obriga a esforços extraordinários de interpretação.

Regra geral, as narrativas centram-se num único espaço físico, uma estrutura comercial de ambiente aconchegante como uma livraria ou um café, onde os personagens se reúnem para partilharem as suas histórias pessoais. Aliás, tanto na Coreia do Sul como no Japão, países onde o fenómeno surgiu e se estabeleceu, os livros de healing fiction tendem a distinguir-se visualmente pelas capas que exibem os edifícios onde a ação decorre.

 

HEALING FICTION: OS LIVROS QUE ELEVAM O GÉNERO

 

 

O-Grande-Armazem-dos-Sonhos-Miye-Lee

 Em abril de 2020, com uma pandemia a afundar o mundo em preocupações, nada melhor do que um romance que nos convidava a fazer uma pausa e a trocar os pesadelos por sonhos. Talvez se explique assim o enorme impacto que este livro da estreante Miye Lee teve entre os leitores asiáticos e porque é considerado um dos grandes impulsionadores da healing fiction.

Centrada num armazém gigantesco que vende os sonhos que preenchem as noites de humanos e animais, a narrativa integra de forma engenhosa o fantástico no mundano. Cada andar do armazém é especializado num tipo diferente de sonho — e não faltam as personagens caricatas, cada qual com a sua própria história.

 

 


A-Pequena-Loja-dos-Grandes-Milagres-Keigo-Higashino

Embora a healing fiction tal como hoje a conhecemos esteja maioritariamente ligada à Coreia do Sul, há quem defenda que as suas bases foram estabelecidas muito antes, com este romance do japonês Keigo Higashino, publicado em 2012.

O livro acompanha três delinquentes que, fugidos da polícia, encontram refúgio numa pequena loja abandonada, outrora detida por um homem famoso pelos sábios conselhos.

Mal imaginam, contudo, que a loja esconde uma magia muito especial e que estão prestes a deparar-se com um pedido de ajuda que não conseguirão deixar sem resposta.

 

 

Bem-vindos-a-Livraria-Hyunam-Dong-Hwang-Bo-Reum

 Os cenários favoritos da healing fiction são, sem dúvida, bibliotecas e livrarias. Afinal, o que pode ser mais aconchegante do que livros?

Neste romance da sul-coreana Hwang Bo-reum, um dos mais aclamados no campo da healing fiction, encontramos uma mulher que decide mudar drasticamente a sua vida e fazer por fim o que sempre sonhou: abrir uma livraria independente em Seul.

Se te interessam especialmente os livros de healing fiction centrados em livrarias e bibliotecas, aproveita também para ler O Destino da Livraria de Kichijoji (Kei Aono), O Que Procuras Está na Biblioteca (Michiko Aoyama) e outro dos grandes precursores do género: Os Meus Dias na Livraria Morisaki (Satoshi Yagisawa), seguido por Uma Noite na Livraria Morisaki


 

Os-Misterios-do-Restaurante-Kamogawa-Hisashi-Kashiwai

Sendo a healing fiction um veículo para a partilha e interseção de histórias pessoais, é natural que muitas das narrativas decorram em cafés e restaurantes.

Se estes são cenários que te agradam, podes experimentar ler O Pequeno Restaurante da Felicidade (Ito Ogawa) ou Antes que o Café Arrefeça (Toshikazu Kawaguchi), com De Regresso a Tóquio e Antes que as Memórias Desapareçam. É, contudo, de outro escritor japonês o livro que te vamos aqui recomendar.

Os Mistérios do Restaurante Kamogawa imagina um estabelecimento familiar especializado na preparação de refeições personalizadas, recriações exatas de iguarias que os clientes provaram no passado e que guardam, nos seus sabores, as mais antigas memórias.

 

 

A-Livraria-dos-Pequenos-Milagres-Monica-Gutierrez-Artero

healing fiction tem-se tornado tão popular nos últimos anos que já começou a conquistar escritores fora da Coreia do Sul e do Japão.

Exemplos desta expansão internacional são a irlandesa Evie Woods e A Livraria Perdida. Ou o inglês Matt Haig, que alcançou um grande sucesso com A Biblioteca da Meia-Noite

Quem também procurou replicar o tom da healing fiction na sua escrita foi a espanhola Mónica Gutiérrez, que, em A Livraria dos Pequenos Milagres, nos dá a conhecer uma jovem de Barcelona que inicia um processo de redescoberta pessoal a partir do momento em que arranja um emprego numa livraria inglesa.



Artigo publicado originalmente por Estante FNAC.


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Barómetro WOOK – Hábitos de Leitura 2024


A 1ª edição do Barómetro WOOK – Hábitos de Leitura, realizado pela Universidade Católica Portuguesa para a WOOK em setembro de 2024, confirma que a leitura continua viva no quotidiano dos portugueses. Os dados mostram que, embora ainda estejamos abaixo da média de certos países europeus, há sinais claros de crescimento — e são os jovens que mais impulsionam esta tendência. Entre hábitos, preferências, tempos dedicados e influências, há muito para descobrir sobre a forma como Portugal lê.

• Quem lê e quanto lê

Do total de inquiridos, 67% afirmam ler com regularidade. Mais de metade (53%) lê entre 1 e 5 livros por ano, enquanto 18% lê entre 6 e 10. O destaque vai para os jovens entre os 18 e os 24 anos: 39% indicou ler mais de 10 livros por ano, e 23% chegam a ultrapassar os 20 títulos — valores muito superiores aos registados noutras idades. São seguidos pelo grupo dos jovens adultos, entre os 25 e os 34 anos, em que 28% leem mais do que 10 livros por ano. Segundo Rui Aragão, diretor da Wook, há uma tendência clara de subida do mercado editorial, que este ano registou um impulso de 10%, e que «tem como principais responsáveis os jovens».

• Tempo e formato

Em média, os portugueses dedicam 4,8 horas por semana à leitura. A faixa etária dos 25-34 anos é a mais assídua, passando pelo menos 8 horas semanais a ler, ao passo que a dos 45 aos 64 anos revela hábitos mais esporádicos.
Quanto ao formato, o livro físico mantém a supremacia: 81% preferem-no ao digital. Entre os que leem no ecrã, o smartphone é o suporte mais comum (58%). A leitura digital é mais popular entre os 35-44 anos (29% dos inquiridos), mas também se destaca nos grupos dos 25-34 e 55-64 anos. «O contacto com o livro físico continua a ter um peso emocional e cultural muito forte, mas a diversificação da oferta digital também ajuda a captar novos leitores», observa o diretor da Wook.

• Línguas e motivações

A língua nacional domina: 90% dos inquiridos leem em português e 64% fazem-no exclusivamente. Um em cada cinco lê também em inglês, sobretudo entre as gerações mais jovens. As principais razões para recorrer a outras línguas incluem a inexistência de versão portuguesa (18%), necessidades profissionais (16%) e o desejo de ler a obra original sem esperar pela versão portuguesa. Apenas 2% leem exclusivamente em inglês.

• Influências nas escolhas

Apesar da crescente presença de booktokers e bookstagrammers, as escolhas literárias continuam a ser moldadas, sobretudo, por círculos próximos: 29% seguem sugestões de amigos e 22% ouvem familiares. Apenas 6% assumem seguir influenciadores digitais na hora de decidir que livro comprar. Um dado que surpreendeu a Wook, segundo Rui Aragão, dada a reputação da relação dos jovens com essas figuras da esfera digital, mas que ainda assim devem ser vistas como uma oportunidade. Para o diretor da Wook, «mais do que a plataforma, conta a confiança», já que as escolhas são feitas com base em vozes que os leitores consideram credíveis».

• Quando e onde lemos

A leitura acontece, maioritariamente, em casa (86% dos participantes) e à noite (58%). A tarde é o segundo momento mais popular (21%). Apenas 4% afirmam ler sobretudo nos transportes públicos, ao ar livre ou no local de trabalho.

O crescimento do mercado editorial português no último ano foi impulsionado por uma nova geração de leitores que consome livros com entusiasmo e regularidade. Embora ainda haja caminho a percorrer para atingir os níveis de países como a França, onde os leitores mais assíduos devoram dezenas de livros por ano, Portugal vive um momento de renovado interesse pela leitura. E, ao que parece, a história dos próximos capítulos será escrita, em grande parte, pelas mãos dos mais jovens.

Consulte o barómetro completo neste link.

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WOOKACONTECE: "A síndrome do livro da mesa de cabeceira"


Há livros que não se leem. Permanecem. Instalam-se na mesa de cabeceira com um ar de continuidade discreta, como se fizessem parte do mobiliário emocional. Não são propriamente “livros em leitura” nem “livros por ler”. São objetos simbólicos, carregados de intenções, hesitações e expectativas. Como relíquias silenciosas daquilo que se deseja ler — mas raramente se lê.
Esta presença constante deu origem a um fenómeno não documentado nos manuais de biblioteconomia, mas amplamente reconhecido entre leitores compulsivos: a síndrome do livro da mesa de cabeceira.
Pode apresentar-se de várias formas. O clássico dos clássicos é o livro de autor consagrado e de reputação intimidante. Um Pirandello, um Bulgákov, um Edgar Allan Poe. São livros que tanto nutrem o espírito como refletem o gosto e a sensibilidade intelectual de quem os lê.
Depois, há os livros de autoajuda. O Poder do Agora, Manhãs Milagrosas. Títulos que prometem iluminar a existência em poucas páginas. São colocados na mesa de cabeceira como amuletos de desenvolvimento pessoal. O simples facto de estarem ali transmite a ideia de que se está “num caminho de evolução”, mesmo que esse caminho não avance para lá do índice.
Segue-se a categoria dos livros-presente. Poesia? Os que foram oferecidos com carinho — ou com culpa — e que, por respeito ao gesto, se mantêm em exibição constante. Não se leem por afinidade, mas por obrigação afetiva.
Existem ainda os livros-temporada. Títulos que chegaram em momentos específicos — separações, mudanças de vida, desafios existenciais — e que, apesar de ultrapassada a fase, permanecem como lembrança. São livros que se transformam em âncoras emocionais: não servem tanto para serem lidos, mas para recordar quem se era quando se pensou iniciar a leitura.
E depois, há os livros utilitários: dicionários, antologias, devocionários, agendas literárias. Livros que se usam pontualmente, mas que, na prática, acumulam pó em repouso quase litúrgico.
A síndrome manifesta-se também na forma como se lida com esses livros: vira-se a lombada para a frente, empilha-se com cuidado, muda-se de lado conforme a disposição da luz ou do copo de água noturno. Há quem mantenha um marcador entre as páginas há mais de um ano, na esperança de retomar a leitura «assim que houver tempo». O marcador é um gesto de fé.
O que estes livros têm em comum é que não incomodam. Não pressionam. Não exigem. Estão ali como promessas de uma versão mais atenta, mais culta ou mais organizada de quem os colocou ali. E é talvez isso que mais importa: o livro da mesa de cabeceira não é apenas um livro, é um espelho. Revela padrões, expectativas e até frustrações.
O leitor que acumula livros de espiritualidade revela uma busca de sentido. O que coleciona romances históricos de 500 páginas pode estar à espera do momento «certo» para mergulhar com tempo. O que tem um compêndio técnico provavelmente sonha com uma versão mais disciplinada de si mesmo. E o que tem uma pilha eclética, em permanente desequilíbrio, talvez seja alguém dividido entre múltiplos interesses e incapaz de fazer escolhas definitivas.
Curiosamente, poucos desses livros acabam por ser lidos até ao fim. A mesa de cabeceira transforma-se, então, numa espécie de zona neutra da leitura — um limbo entre a intenção e a ação. É o lugar onde o livro repousa quando já não é novidade, mas ainda não foi abandonado. Um território de transição, onde a leitura é adiada. Indefinidamente?
A crítica mais comum — e talvez mais injusta — é considerar esse gesto um fracasso. Mas há outro olhar possível: talvez o valor de um livro não resida apenas na sua leitura, mas na ideia de que pode, a qualquer momento, ser lido. O livro da mesa de cabeceira representa o desejo de continuar a aprender, a sentir, a crescer. Mesmo que o dia nunca chegue.
O livro da mesa de cabeceira é um ritual contemporâneo. Um símbolo do modo como nos relacionamos com o tempo, com o saber e connosco próprios. Um gesto que diz: «Ainda acredito que vou ler isto.» E essa crença, por si só, é já literatura em potência.
 

Por Analita Alves dos Santos, no blogue WOOKACONTE.


Jornal de Notícias: "Amy Winehouse - espólio na Livraria Lello e música em Lisboa e no Porto"

 

The Amy Winehouse Band é um septeto em que sobressai a voz da intérprete Bronte Shande

A Livraria Lello (Porto) continua a destacar-se no ramo livreiro pela sua inovação! Desta vez é notícia porque adquiriu a coleção pessoal de livros da artista falecida Amy Winehouse. A administradora da Livraria Lello, Aurora Pinto, confessa que a coleção permite vislumbrar "a identidade de uma jovem e de uma artista que espelhava inquietude, procurando a companhia de livros em que as temáticas da procura e do desassossego estão muito presentes".
Esta coleção poderá ser vista pelo público em geral na Sala Gemma, espaço dedicado a exposições e apresentações da Livraria.

Jornal PÚBLICO: "Partilhar estantes é uma forma de salvar livrarias no Japão (e vender livros mais interessantes)"

Livrarias partilhadas no Japão

No Jornal Público encontrei esta notícia interessante sobre uma solução inovadora de salvar livrarias japonesas através da partilha de estantes. De facto, segundo a Fundação da Indústria Editorial do Japão para a Cultura, entre outubro de 2022 e março de 2024 fecharam mais de 600 livrarias físicas. Foi criado o ano passado, pelo Ministério da tutela, um grupo de trabalho para estudar quais as melhores medidas de apoio às livrarias: "as livrarias são um centro de transmissão cultural e são ativos extremamente importantes para a sociedade, ao manterem a diversidade de ideias e influenciar o poder nacional."
O conceito tem por base a partilha do espaço. Pessoas singulares e empresas podem vender obras novas ou usadas em espaços alugados partilhados. Entre as centenas de arrendatários de prateleiras, que pagam entre 30€ a 58€ por mês, encontram-se pessoas particulares, empresas de tecnologias de informação e pequenas editoras. Cada uma dessas prateleiras é como se fosse a versão física de um perfil nas redes sociais.
Esta ideia está a gerar uma onda de satisfação nas comunidades onde muitas livrarias fecharam porque oferece escolhas mais ecléticas do que aquelas sugeridas por algoritmos das lojas online.


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Fonte: Folha de São Paulo. (2025, Janeiro 30). Partilhar estantes é uma forma de salvar livrarias no Japão (e vender livros mais interessantes). Jornal Público.
https://www.publico.pt/2025/01/30/p3/noticia/partilhar-estantes-forma-salvar-livrarias-japao-vender-livros-interessantes-2120716

VISÃO SE7E: "Livrarias em segunda mão: 9 moradas que põem os livros manuseados a circular"

Preços acessíveis, títulos e autores inusitados, edições recentes e obras que já saíram de circulação. De tudo isto se fazem estas 9 livrarias em Lisboa e Cascais, que dão uma nova oportunidade aos livros manuseados.



Livraria Castro e Silva
Avenida Almirante Reis, 89D, Lisboa
Seg-Dom 9h30-20h
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Livraria Solidária de Carnide
Espaço Boutique da Cultura, Av. Colégio Militar - Lisboa
seg-sex: 9h30-13h / 14h30-22h
sáb-dom: 10h-13h / 14h-18h
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Stuff Out
Rua da Quintinha, 70 C - Lisboa
seg-dom: 10h-18h
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Livraria Inquieta
Rua de Campolide, 94 B - Lisboa
ter-sex: 10h-19h / sáb. 10h-18h / dom. 10h-17h

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Déjà-Lu
Pestana Cidadela Cascais - Fortaleza da Cidadela, Av. D. Carlos I - Cascais
ter-dom 12h às 19h
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Livraria Sá da Costa
Rua Garrett, 100 - Lisboa
seg-dom: 9h30-24h 
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Tantos Livros
Loja 1: Av. Marquês de Tomar, 1B, Lisboa
Loja 2: Rua José Relvas, 15B, Parede (Cascais)
seg-sáb: 9h-20h / dom. 10h-14h
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Tigre de Papel
Rua de Arroios, 25 - Lisboa
seg-sex: 10h-19h30 / sáb. 10h-18h
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Re-Read
Avenida de Roma, 61 B - Lisboa
seg-sáb: 10h-19h
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É interessante conhecer estes espaços e os seus fundadores. É sinal de que os livros ainda têm importância na nossa sociedade. E enquanto assim for, estaremos todos bem. 👉 LER ARTIGO COMPLETO AQUI. 📰


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Fonte: Belo, I, Lopes Faustino, S. (2025, janeiro 30). Livrarias em segunda mão: 9 moradas que põem os livros manuseados a circular. Visão Se7e.
https://visao.pt/visaose7e/sair/2025-01-30-livrarias-em-segunda-mao-9-moradas-que-poem-os-livros-manuseados-a-circular/#&gid=0&pid=2

BiblioLED, um serviço online de empréstimo de livros eletrónicos

 


Designada BiblioLED, esta biblioteca pública digital destina-se a todos os utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais integradas na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), e estará disponível a partir das 15:00 da próxima segunda-feira, anunciou hoje a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que gere o serviço.
A BiblioLED tem por objetivos "fomentar os hábitos de leitura, promover serviços de qualidade nas bibliotecas municipais, promover a literacia digital e facilitar o acesso a livros digitais e audiolivros, em complemento ao serviço presencial já oferecido pelas 445 bibliotecas" integradas na RNBP, acrescenta a DGLAB.
O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana de Bibliotecas".
Os conteúdos disponíveis, em formato de livro digital e de audiolivro, com títulos de ficção e não ficção, são maioritariamente em língua portuguesa, indica a DGLAB.
O serviço vai estar permanentemente acessível - 24 horas por dia, sete dias por semana - por meio de 'smartphones', 'tablets', leitores 'online' e 'e-readers', a partir de qualquer lugar, sendo possível "ajustar o modo de leitura para maior conforto, modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do fundo".
Para aceder, basta ao leitor estar inscrito numa biblioteca municipal da RNBP, que tenha aderido ao serviço da BiblioLED.






A BiblioLED é a biblioteca pública que está consigo todos os dias, onde estiver e quando quiser!
A seleção de livros digitais e audiolivros da BiblioLED procura oferecer boas experiências de leitura a crianças, jovens e adultos!
Aceder a livros digitais e a audiolivros nunca foi tão fácil como agora com a BiblioLED, a Biblioteca Pública para a Leitura e o Empréstimo Digital! Navegue pelo nosso catálogo, descubra novos autores, conheça nas histórias e aceda, empreste, leia reserve os seus livros digitais e audiolivros preferidos no seu smartphone ou tablet, através da App móvel, no leitor online ou no e-reader.




Os maratonistas da leitura: ler muito ou ler bem?

 


Partilho este artigo de opinião de João Salazar Braga para o Jornal Expresso: «Os maratonistas da leitura: ler muito ou ler bem?» 👇

"(...) A leitura tornou-se num jogo e é dos competitivos. A sua gamificação é real e espera-se que se intensifique, porque convoca constantemente novos leitores, que aparentemente têm mais satisfação em superar os seus próprios números do que em ler um livro sem pressas ou pressões, apenas pelo prazer da leitura, que se quer bem demorado.

Ler deve descansar e não é obrigatoriamente um jogo. Trata-se de uma atividade quase sempre lúdica, que obedece a costumes muito próprios, muitas vezes inaplicáveis a outros passatempos. A perspetiva de acabar o ano com 30 ou 40 livros lidos é maravilhosa, mas a ideia de esses 30 ou 40 livros resultarem de uma obrigação autoimposta é – e permitam-me a tomada de posição – uma grandessíssima chatice: decorre de uma obsessão que, por sua vez, gera uma obrigação contínua, que pesa durante a leitura e que incomoda o leitor que lê para estar verdadeiramente despreocupado."


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Aproveito e remeto para outro artigo de opinião, desta vez de Bolívar Torres para O Globo «'Atletas' da leitura: entenda por que maratonas e sprints literários cresceram na pandemia».



📌 Este assunto chamou-me a atenção porque participo em desafios literários. Gosto de aliar o prazer da leitura com os objetivos dos desafios literários, mas não sou obcecada em concluí-los todos. Felizmente, a quantidade de livros por ler na minha estante não é assim tão grande porque tenho conseguido ir lendo com uma certa rotina. Mas aceito e compreendo que para algumas pessoas a leitura se tenha gamificado, talvez por serem mais competitivas e gostarem de desafios, ou simplesmente porque se sentem dessa forma motivadas para ler.
No geral, o alerta dado nestes dois artigos de opinião passa pelo desprazer em ler e pela pressão que esses leitores-maratonistas sentem para cumprir objetivos. Temos de ler, sim, mas com tempo e qualidade. 💝


📚 10 livrarias a não perder


Olá, 

Tanto em Portugal como lá fora são muitas as livrarias que resistem ao tempo e que se tornam marcos da vida literária de muitas pessoas, desde escritores a leitores.

Esta é uma seleção de 10 desses espaços que merecem visita: 

Em Portugal

A Bertrand do Chiado foi distinguida pelo Guinness World Records como "a livraria mais antiga do mundo em funcionamento". São sete salas com nomes de escritores portugueses — Aquilino Ribeiro, José Saramago, Eça de Queiroz, Almada Negreiros, Alexandre Herculano e Sophia de Mello Breyner — e um café que evoca Fernando Pessoa.

Considerada a "livraria mais bonita do mundo", a Livraria Lello transporta consigo "mais de um século de história e de estórias, embebido no espaço arquitetónico e também no saber livreiro". Foi um dos lugares de inspiração de J. K. Rowling para criar a saga Harry Potter.

Esta livraria, que ocupa um antigo quartel de bombeiros, junta livros a um mercado com produtos biológicos. A maioria das obras está assente em estantes criadas por caixas de fruta reaproveitadas. Um espaço especializado em obras usadas e edições de autor, mas onde também se encontram livros novos.

Uma das maiores livrarias de Portugal, tem também uma particularidade: todos os livros estão expostos pela capa e não pela lombada — e muitas das edições existentes não estão disponíveis em mais nenhuma livraria do país. Sediada num antigo palácio, é também possível ver-se tetos decorados com talha dourada e outros pormenores característicos do edifício original.

Mais do que uma livraria independente, este espaço em Braga junta exposições, apresentações de livros, debates, concertos, animações infantis e ateliers. Situada na Casa Rolão, um exemplar de arquitetura civil do século XVIII, em estilo barroco, tem também um jardim e uma cafetaria.


E no estrangeiro

Localizada no centro da capital islandesa, esta livraria completa-se com um bar e restaurante. Com títulos internacionais disponíveis nas estantes, à noite ganha música ao vivo em alguns dias da semana.

Escondida num beco entre a Praça de S. Marcos e a Ponte Rialto, esta livraria torna-se um ponto de referência por estar numa zona em que a água entra no outono e inverno. Por isso, os livros são salvaguardados dentro de gôndolas, canoas e banheiras.

Situada na centenária Igreja Dominicana de Maastricht, esta livraria espalha-se por todo o edifício. É também local de sessões de autógrafos, debates, palestras, entrevistas e até concertos. A livraria conta ainda com um departamento musical.

A Fourth Avenue, em Nova Iorque, é casa da livraria conhecida por ter "18 milhas de livros", o que equivale a cerca de 29 quilómetros. Ali encontram-se livros novos, usados e edições raras, bem como outro tipo de artigos, desde vinil, vestuário e material de papelaria.

A maior livraria da América do Sul encontra-se num antigo teatro, que mantém a decoração e estrutura intactas. No edifício, até o palco foi aproveitado e deu origem a um bar onde os livros também têm parte importante.

Boas leituras, 

Alexandra Antunes



A tecnologia pode ganhar em muita coisa, mas a febre das livrarias ainda existe

 



    Ler está na moda — e ir às livrarias também. Folhear as páginas dos livros, ver o tamanho da letra e perceber o tipo de vocabulário são fatores importantes no momento da escolha. A compra online está a aumentar, mas há mesmo quem prefira a experiência física, que se torna "mais rica e pessoal" e permite a fuga a "filtros ou algoritmos". O SAPO24 falou com leitores entre os 15 e os 29 anos para perceber o que os leva a mergulhar nestes espaços onde os livros ganham uma vida diferente. A esse propósito, deixa também uma lista de 10 livrarias que vale a pena conhecer.
    Numa época digital, o mundo físico ainda ganha em alguns temas. E assim é no que toca às livrarias e à compra de livros. Em setembro, um estudo da Nielsen/GfK, encomendado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), concluía que "os livros em papel dominam o mercado (97%), ainda que o digital tenha crescido ligeiramente face ao passado". Além disso, "as lojas físicas são o principal canal de aquisição de livros (86%), sendo que o canal online ultrapassa os 40% enquanto local de compra".

Por Alexandra Antunes



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Eleição de Trump é "o fim de um sonho para uma América de maior igualdade". Vontade de deixar o país é "bastante grande"

O norte-americano fala numa "polarização entre o rural e o urbano"
Reinaldo Rodrigues/Global Imagens (arquivo)

Richard Zimler confessa, na TSF, acreditar que a vitória de Trump representa uma "mudança psicológica muito grande" para muitos norte-americanos, que passam agora a ter "um fascista, misógino e mentiroso compulsivo" na Casa Branca. O escritor norte-americano Richard Zimler confessa estar "muito perturbado" com a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, afirmando que o "sonho para uma América de maior empatia, igualdade e solidariedade terminou".





Literatura, ou a voz dos outros



O período estival conheceu a publicação de uma Carta do Papa Francisco sobre o papel da literatura na formação. O documento foi habitado pelo desejo de pensar o contributo da literatura para a formação dos padres católicos. Mas o alcance da reflexão alargou os horizontes para o plano mais amplo da formação humana. O texto chegou sem alarido. Não mereceu o destaque de outros textos, que se apresentaram em linha com a agenda global. Mas é certo que um olhar rápido pelos media de referência, em diversos países, depressa descobre que o texto encontrou a empatia de muitas vozes, em diversos setores culturais.

Talvez seja importante recordar que os pronunciamentos autorizados da Igreja católica romana sobre literatura nem sempre foram recebidos como “boas notícias”. Tenha-se presente o famoso “Índice dos livros proibidos”, oficialmente abolido apenas em 1966. Nesse “índice”, encontravam-se reunidos autores como Stendhal, Hugo, Sand, Flaubert, Larousse, Gide, France ou Sartre. Como noutras circunstâncias, o Papa Francisco adota uma estratégia de inversão de perspetiva. Não se trata de traçar as fronteiras entre “boas ou más leituras”. Trata-se de trazer para o debate contemporâneo o papel educativo e formativo da literatura. A argumentação desta carta parte da evidência de que a literatura nos obriga a escutar a voz dos outros, descobrir o “outro” que há em nós, habitar mundos diversos, descentrando-nos e abrindo-nos à aventura da empatia. Essa é uma via de superação dos riscos de confinamento dos indivíduos na sua bolha obsessiva ou narcísica.

Por Alfredo Teixeira