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| Lídia Jorge - Foto © Frank_Ferville |
Lídia Jorge tem aquela capacidade rara reservada aos grandes escritores: uma compreensão profunda do ser humano, através do seu compromisso inabalável com o poder da palavra escrita. Acredita no potencial transformador da narração das histórias. A literatura, afirma, segue um caminho constante, como uma espécie de sombra branca, e vai dulcificando as coisas. Criar traços de beleza dá-lhe uma grande sensação de liberdade.
Recordamos, agora, a entrevista que a autora nos concedeu em 2024 (e publicada na
revista wookacontece n.º 11), em torno do seu mais recente romance,
Misericórdia. É uma obra que nos deslumbra e desarma, que a autora escreveu a pedido da sua mãe, e que traça um retrato universal da condição humana, através do qual sentiu o fulgor da existência.
Numa exploração ímpar da dinâmica geracional e dos fios invisíveis que nos unem, a escritora explora o delicado equilíbrio entre a alegria da existência e as nuances do envelhecimento. O brilhantismo deste romance conquistou, entre outras distinções, o Pémio Médicis Étranger, concedido pela primeira vez a uma autora de língua portuguesa.